A presença da Santíssima Virgem junto à Igreja de Jesus.  

 

A presença da Santíssima Virgem junto à Igreja de Jesus, desde a sua formação, é fato incontestável. Em defesa da igreja que se formava, protegendo a fé incipiente dos primeiros cristãos, as manifestações da Santíssima Virgem atestam a preocupação e o cuidado com que a Mãe da Igreja sempre zelou por seus filhos.

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O que pode ser considerada a primeira aparição da Virgem Maria na História, no sentido próprio do termo, trata-se, na verdade, de uma bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo), em razão de Nossa Senhora ainda estar vivendo na terra. O fato ocorreu na Espanha.

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A conversão daquele país ao catolicismo foi bem mais difícil do que se imagina. São Tiago foi, então, incumbido de ir pregar o santo Evangelho às províncias da Espanha, e, antes de partir, foi pedir a licença e a bênção de Maria Santíssima, como fizeram também os outros apóstolos, comovidos por ter de se separar da santa Mãe de seu divino Mestre. A Virgem Santíssima, tendo abençoado o apóstolo, assim lhe falou: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre, e por ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à fé, edifiques uma igreja em minha memória, conforme o que eu te manifestar.” O apóstolo São Tiago seguiu, pois, para a Espanha e, depois de ter pregado em alguns outros lugares, chegou a Zaragoza, à margem do rio Ebro. Tendo pregado durante muitos dias nessa cidade, converteu oito varões, com os quais se retirava à noite para a margem do rio, onde oravam e descansavam longe das agitações dos pagãos. Certa noite, enquanto o apóstolo descansava com seus fiéis discípulos, ouviu, de repente, umas vozes angélicas que cantavam: “Ave Maria, gratia plena!” Pondo-se imediatamente de joelhos, viu a Santíssima Virgem entre um coro de anjos, sentada num pilar de mármore. O coro angelical acabou o ofício de matinas com o versículo ‘Benedicamus Domino’. Acabado o ato, Maria Santíssima chamou a si o santo apóstolo e, com muito carinho, lhe disse: “Eis aqui, meu filho, o lugar assinalado e destinado à minha honra, no qual, por teu cuidado e em minha memória, quero que seja edificada uma igreja. Conserva este pilar onde estou sentada, porque meu Filho e teu Mestre enviou-o do céu pela mão dos anjos. Junto a ele assentarás o altar da capela, e nele obrará a virtude do Altíssimo os portentos e maravilhas de minha intercessão para com aqueles que, em suas necessidades, implorarem o meu patrocínio. E este pilar permanecerá aqui até o fim do mundo, e nunca faltarão nesta cidade verdadeiros cristãos que honrem o nome de Jesus Cristo, meu Filho”. Subitamente, aquele exército de anjos, tomando a Rainha dos céus, levou-a para a cidade de Jerusalém, repondo-a em sua cela.

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Depois desse miraculoso fato, a Virgem Maria ainda viveu onze anos. São Tiago, depois de louvar a Jesus e sua Mãe Santíssima, cheio de contentamento começou logo a edificar uma igreja naquele lugar, ajudado pelos oito discípulos, colocando o referido pilar na parte superior do altar e voltado para o Ebro.

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Muito consolado, o Apóstolo continuou seu árduo trabalho, resultando que hoje uma parte considerável da Igreja Católica reza em espanhol. E Nossa Senhora do Pilar é a Padroeira da Espanha.

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Em outra ocasião, estavam os apóstolos reunidos na cidade de Éfeso, atual costa da Turquia, mas que, nessa época, era uma cidade grega. Imploravam eles o auxílio da Santíssima Virgem nas diversas dificuldades da nascente Igreja, quando a Mãe de Deus lhes apareceu, cheia de luz, e lhes prometeu que jamais os abandonaria. Esta aparição não deixa de ter um simbolismo muito bonito, pois Nossa Senhora apareceu aos apóstolos em seu conjunto, como representação da Hierarquia da Igreja, e lhes prometeu sua permanente ajuda. Auxílio que Ela irá demonstrando constantemente ao longo da História.

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Na seguinte aparição, ocorrida no século III, Nossa Senhora e São João Evangelista apresentam-se a São Gregório Taumaturgo.

São Gregório, o Taumaturgo, tinha sido nomeado Bispo de Neocesaréia, cidade localizada na atual Turquia. Mas, segundo a biografia, escrita por São Gregório de Nissa, “ele não queria iniciar a pregação antes que a verdade lhe tivesse sido revelada por alguma aparição. Havia aqueles que falsificavam o ensino piedoso com argumentos rebuscados, e assim tomavam a verdade duvidosa. Ora, durante a noite, quando ele repousava em santos pensamentos, um venerável ancião lhe apareceu, revestido de ornamentos sacerdotais. Surpreso, Gregório levanta-se e pergunta-lhe quem é ele e por que apareceu. O ancião tranqüiliza seus temores com uma doce voz. Anuncia que vem, por ordem de Deus, esclarecer suas dificuldades (teológicas) e revelar-lhe a verdadeira Fé. Gregório cobra coragem com estas palavras e olha o ancião com uma alegria mesclada de estupefação. A aparição estende a mão e convida a olhar para um lado. Então Gregório percebe outra aparição: uma mulher, com um aspecto superior a tudo quanto é humano. De novo a emoção o domina, abaixa sua fronte e não ousa fixar esta luz tão forte para seus olhos (...), Mas ele escutava as duas pessoas que apareceram conversando sobre assuntos teológicos que o preocupavam. Assim, ele não apenas aprendeu a doutrina da Fé, mas descobriu quem eram os personagens da visão pelos nomes que eles se davam um ao outro. Com efeito, conta ele que ouviu a mulher convidar São João Evangelista a manifestar ao jovem bispo os mistérios da verdadeira Fé. Por sua vez, este respondia que o faria com gosto, para agradar a Mãe do Senhor e seguir seus desejos. Então (aquele apóstolo) pronunciou um discurso sóbrio, e desfez-se a aparição. Imediatamente, Gregório colocou no papel esta doutrina celeste, e foi de acordo com ela que ele pregou logo mais em sua igreja. Ele legou-a a seus sucessores como uma herança vinda de Deus, e o povo, ensinado segundo tal doutrina, tem permanecido sempre puro de toda maldade herética. Eis aqui as palavras reveladas do Símbolo (dos Apóstolos, ou seja, o Credo): Eu creio num só Deus (...). Se alguém quer se assegurar da verdade deste símbolo, que consulte a igreja na qual o Taumaturgo pregava esta doutrina. Em seus arquivos, conserva-se ainda hoje o manuscrito feito por esta bem-aventurada mão: verdadeiras tábuas escritas por Deus e comparáveis, pela grandeza de sua graça, às tábuas da Lei, nas quais foi antigamente gravada a lei divina.”(*)

(*) Le ciel sur la Terre, les apparitions de la Vierge au Moyen age, Sylvie Barnay, Ed. Lês Editions du Cerf, Milano, 1999, pg.16-18.

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O Dia da Proteção da Mãe de Cristo foi fixado como lembrança da visão que Santo André teve da Virgem Maria, cobrindo com o seu véu os cristãos no templo na cidade de Blachernae durante o ataque pelos inimigos a Constantinopla no século X. Às 4 horas da manhã, Santo André viu uma impressionante e majestosa imagem da Virgem Maria, caminhando a partir do altar no templo, apoiada por São João Baptista e pelo apóstolo João com inúmeros outros Santos caminhando à sua frente e outros tantos seguindo-a e cantando diversos hinos. Santo André aproximou-se de seu assistente Epifânio e perguntou-lhe se ele também estava a ver a Mãe de Cristo. "Vejo" - respondeu Epifânio. Enquanto eles olhavam-na, ajoelhando-se no centro da igreja, rezou durante longo tempo, derramando muitas lágrimas. Depois Ela aproximou-se do altar e rezou pelos cristãos. No fim das Suas orações, Ela tirou de sua cabeça o véu que a cobria, abriu-o e estendeu-o sobre todos os presentes. A cidade foi salva. Santo André era de origem eslava e o povo russo tem uma grande consideração por este feriado santo - o dia da Proteção da Virgem, em homenagem ao qual foram construídas muitas novas igrejas.

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Para defender a Igreja, Nossa Senhora aparece aos bispos, sucessores dos Apóstolos, em cumprimento de sua promessa de que jamais os abandonaria. Assim, estão registradas duas aparições a São Nicolau, Bispo de Mira. A primeira, quando ele foi nomeado bispo; a segunda, logo após o Concílio de Nicéia. São Nicolau (o famoso bispo que celebramos no Natal, pela sua admirável caridade) foi um dos grandes defensores da doutrina católica sobre a natureza divina de Nosso Senhor.

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A História registra, quarenta anos após esta, em 363, uma aparição da Virgem a São Basílio de Cesaréia, grande defensor da doutrina sobre a Trindade Divina. O imperador Juliano, o Apóstata, havia decidido destruir a igreja onde São Basílio era bispo. Prometera fazê-lo logo que voltasse da guerra contra os persas. Nossa Senhora, então, apareceu ao santo para dizer-lhe que não temesse, pois ela haveria de protegê-lo. O imperador realmente não pôs em prática o seu intento porque foi morto na guerra, apenas três anos depois da posse como imperador.

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Aproximadamente no ano 370, Ela apareceu várias vezes a São Martinho, Bispo de Tours, empenhado na formação dos futuros bispos santos que iriam mudar a França profundamente.

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Sob certo ponto de vista, o mais interessante era ver como as aparições iam sempre ao encontro das necessidades mais prementes da Igreja no momento. Assim, na época da conquista e conversão da América registram-se várias aparições da Virgem aos índios, ajudando desta forma no apostolado que realizavam os missionários para catequizá-los, batizá-los e civilizá-los. No Brasil, o primeiro caso reportado é o da índia Paraguaçu, que teria visto Nossa Senhora das Graças, na época do Descobrimento.

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No século XIX, houve várias aparições da Virgem aos santos fundadores de congregações religiosas, que tanto ajudaram na expansão mundial do catolicismo, sem contar o ciclo de aparições ligadas à difusão da devoção mariana, como a da medalha milagrosa, Lourdes etc.