Missão divina da Igreja.

 

 A Encarnação e a Redenção operadas pelo Verbo tiveram por fim restabelecer a ordem e dar a possibilidade de salvação a todas as almas de boa vontade. A finalidade da Redenção sempre foi, é (lembre-se que o Santo Sacrifício se repete sempre em cada missa!) e será arrancar as almas a Satanás homicida, para restituí-las a Deus Criador, Salvador e Santificador.

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Com a Redenção, então, consolida-se a Igreja, Sacramento de salvação, e na Igreja, o sacerdócio, para formar, por seu intermédio, os colaboradores de Cristo, que devem constituir a coluna vertebral do Seu Corpo Místico.

Com a morte de Cristo na cruz e com sua ressurreição, estava terminada a obra da redenção: “Está tudo consumado”. No entanto, restava ainda aplicá-la a cada indivíduo em particular. Esta é a obra de santificação, tarefa que a Igreja tem de cumprir através dos séculos. Esta missão da Igreja, São Paulo a vê figurada na grandiosa metáfora de ser Cristo a cabeça a qual todos devem ser incorporados como membros, para receberem a vida divina que se irradia de Cristo como cabeça.

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Para esse fim, foi-lhe confiado o tríplice ministério: doutrinal – de ensinar; sacerdotal – de santificar; e pastoral – de governar.

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À Igreja cabe levar os homens à eterna bem-aventurança. Não se trata de um reino terrestre. Saliente-se que não lhe foi dado o poder nem a incumbência de regular negócios deste mundo. Estado e Igreja são sociedades individualmente perfeitas e supremas, cada qual autônoma no que lhe compete. O Reino de Deus é o Reino dos Céus: “Meu reino não é deste mundo”.

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A Igreja distingue-se de todas as outras sociedades humanas pela sua organização, enquanto sociedade perfeita, onde o humano e o divino se encontram, se entrelaçam e se fundem de modo que se diferencia, se distingue e se eleva acima das famílias, dos povos, das outras sociedades humanas, precisamente por causa da sua natureza misteriosa, que tem por fim guiar e orientar os povos, através da luz das suas verdades das quais é a depositária e guardiã, pelo caminho da salvação eterna. Nenhuma outra sociedade, fora da Igreja, tem uma missão igual e, conseqüentemente, uma igual dignidade e ação salvadora. Mas que fique bem claro: a grandeza da Igreja não tira a sua origem do fausto, da riqueza, da pompa, do exterior, mas sempre e unicamente do mistério da sua natureza humana e divina, da sua missão no mundo, que consiste em guiar os homens e os povos para a pátria celeste do Paraíso.