A NOVA IGREJA:

A RENOVAÇÃO PELA AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.

 “E ele, quando vier, convencerá a gente do mundo de que se engana a respeito do pecado, do que é justo e do julgamento. Estão enganados a respeito do pecado, porque não creram em mim; a respeito do que é justo, porque vou para o Pai e não me vereis mais; e a respeito do julgamento porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não podeis compreender agora. Quando ele, o Espírito da verdade, vier, vos conduzirá à verdade completa. Pois não há de falar por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso eu vos disse que ele receberá do que é meu, para vos anunciar.” (Jo. 16,  8-15)

 

Os Atos dos Apóstolos, no capítulo dois, narram-nos o envio do Espírito Santo sobre os apóstolos, reunidos no Cenáculo, no dia do Pentecostes. A visão distorcida que, a partir desta narrativa, podemos ter é a de que o Espírito Santo é enviado, derramado sobre a Igreja, para iluminá-la e mostrar-lhe os caminhos de Deus, permanecendo, entretanto, ou acima ou fora dela. Unida a esta imagem, podemos, incorretamente, achar que a Igreja funciona, sobretudo, como uma organização, deixada por Jesus e confiada à direção da hierarquia, e o Espírito Santo viria somente para autenticar, ou seja, dar força e autoridade às ações da hierarquia e da Igreja. 

Entretanto não é assim. A Igreja só existiu até hoje como obra do Espírito Santo que nela habitou (1 Cor. 3,16; 6,19). O Espírito Santo constituiu a Igreja que vemos. Sua missão é constitutiva, ela não é determinada pela ação da Igreja-instituição(1 ).

Nem a adesão à organização eclesiástica, nem a pura pregação da Palavra, e nem mesmo as aparições do Ressuscitado aos discípulos medrosos e passivos fez irromper a Igreja e sua missão. Foi o Espírito Santo que fez irromper a Igreja na história. E sua relação com a Igreja não é a do tipo de mera assistência, mas uma relação essencial, a ponto de constituir a Igreja.

 

 

A TRANSFORMAÇÃO DA IGREJA.

 

Duas são as oportunidades oferecidas por Deus ao homem para que ele venha a se santificar. A primeira pode partir do coração de cada homem, numa vontade de sublimar seus instintos e buscar a perfeição, que tem como referência Jesus. A segunda, com certeza, descartada a primeira hipótese, partirá da manifestação d’Aquele que tem por finalidade santificar o homem: o Espírito Santo, o Santificador, sob condições especiais que Deus, em seus desígnios, poderá estar reservando para os de coração endurecido.

A transformação da Igreja, portanto, se dá ou pela busca VOLUNTÁRIA da santificação, ou, de forma excepcional, através de processos regeneradores aplicados à alma, que poderão, a exemplo do ocorrido com o apóstolo Paulo, virem associados à dor.

 

Atualmente, esta regeneração já vem acontecendo sob a prodigiosa ação do Espírito vivificador(2) para pequenos grupos de fiéis que estão se afastando do mundo de pecado e estão buscando a santidade através de práticas de fé, de caridade, de amor e adoração a Deus, e da observância aos sacramentos e aos mandamentos sagrados.

Esta manifestação do Espírito Santificador, que está ocorrendo nestes pequenos grupos, explodirá em breve, no momento fixado nos desígnios eternos de Deus, e todos, sem exceção, sentirão suas almas queimarem com o fogo abrasador do Espírito Santo. Esta manifestação, já esperada por muitos fiéis, é denominada pelo céu como o Aviso. Quando o Aviso ocorrer, aqueles que, por preparação interior, estiverem em estado de pureza espiritual, sentirão como que um renascimento, e sobre eles muitos dons serão derramados naquela hora. Muitos descrentes serão tocados e passarão a ter fé, muitos pecadores se arrependerão verdadeiramente e voltarão seus passos para o caminho que leva a Deus. Mas os obstinados no mal, os incrédulos, estes buscarão justificar o ocorrido como sendo uma causa natural e não uma manifestação do céu, e rejeitarão esta última oportunidade que Deus estará lhes dando de se regenerarem.

Este será o último chamado de Deus para que todos venham unir-se à Igreja renovada e regenerada pela ação do Espírito Santo, por isso chamada de Nova Igreja.

 

 

A AÇÃO DA NOVA IGREJA.

 

Na Igreja renovada, haverá pastores santos, sacerdotes santos, cristãos santos, unidos entre si pelo primeiro e maior mandamento do amor a Deus e ao próximo. Os homens e mulheres são chamados a ser, já aqui na terra, durante a atuação da Nova Igreja, sacerdotes e sacerdotisas do Deus altíssimo, antecipando o que se sucederá na Nova Terra onde haverá unicamente um reino de sacerdotes(3).

A nova Igreja, Igreja renovada, deverá, em nome de Jesus Cristo e em nome da Virgem Maria, repelir os espíritos malditos para o seu Inferno, e o fará sem se preocupar com a louca incredulidade humana e igualmente com a não menos louca inércia daqueles que deveriam (e não estão fazendo!) guiar a Igreja pela estrada da salvação.

Na Igreja regenerada, as forças obscuras do mal não poderão quase nada, porque o povo de Deus, santificado pelo poder do Espírito Santo, preenchido com seus dons(4), os quais já estão sendo derramados sobre muitos, caminhará amparado pela Eucaristia e pelo vigoroso auxílio da Virgem Imaculada, Maria Santíssima, Mãe da Igreja, e atuará consciente de sua santidade e da grandeza divina do oferecimento de seus membros a Deus como almas-vítimas, pela remissão dos pecados da humanidade e em benefício das almas do Purgatório. Sim, a atuação da Nova Igreja se dará pela manifestação do amor de Deus, da doação completa e perfeita pelo próximo, mas sua purificação virá, também, através da dor e do sofrimento (5).    

Estes verdadeiros sacerdotes e sacerdotisas do altíssimo receberão do próprio Deus (e isto já está ocorrendo, pois é de Deus que emana todo o poder) além do poder de expulsar os demônios, também o de curar doenças, exatamente como faziam os antigos cristãos. Serão estes, santos e santas verdadeiros, autênticos co-redentores, que, com a Mãe de Jesus, verdadeira Sacerdotisa e Co-redentora, que neutralizarão e vencerão as obscuras e nefastas potestades do mal.

Não mais haverá horríveis sacrilégios, não mais haverá repugnantes profanações. Através deste resto fiel, a misericórdia e a justiça reinarão no meio dos homens, que olharão para esta geração perversa e atéia e dirão: “Ela foi pior que a geração de Sodoma e Gomorra, ela recusou o convite ao arrependimento e para voltar à Casa do Pai, e por isso foi destruída e dispersa”.

Na Igreja renascida, as almas deverão ser moldadas, quer dizer, formadas, educadas na pureza do Evangelho, isento de falsas e venenosas interpretações de homens orgulhosos e ambiciosos, mais amigos de si mesmos que da verdade. Pureza de doutrina, austeridade de costumes, amor a Deus e amor ao próximo, serão as características que, a todo o momento, a deverão animar. Deus será o Alfa e o Ômega.

Será a Igreja compenetrada da sua grande missão divina, será a Igreja que lutará valorosamente e enfrentará as obscuras potências do Inferno, libertando e curando as almas e os corpos de tantas e tantas criaturas tiranizadas pelos demônios.

Portanto, ela será a Igreja que tomará a sério o grande ensinamento da Cruz, ela será a Igreja que seguirá Cristo pelo caminho que ele traçou com a humildade, a pobreza e a obediência. Ela, mestra de verdade, porque depositária e guardiã do patrimônio da Revelação, tomará o seu lugar de guia dos povos, forte com o mandato divino de Deus.  

A Virgem Santíssima, Mãe da Igreja, Rainha dos Apóstolos e Rainha das Vitórias, será a que vencerá mais uma vez, reparando assim a inércia de muitos ministros e pastores que atualmente nada fazem, esmagando pela segunda vez a cabeça da venenosa Serpente.

Com a Cruz e no Calvário, Jesus e Sua Mãe triunfaram das forças obscuras do mal, marcando o início da libertação das almas de boa vontade.

Com a Cruz e no Calvário, a Igreja voltará a subir o caminho da salvação, saindo do fumo que a obscurece e envenena.

 

 

(1) “Não é a Igreja que mostra os rumos ao Espírito. Ao invés, a Igreja deve seguir, e somente existir, na medida em que segue os rumos do Espírito. O Espírito faz da Igreja o seu instrumento e a sua mediação para agir no mundo, um dos seus instrumentos e uma das suas mediações ainda que privilegiada”.( J. COMBLIN, O Espírito Santo e a Libertação, Vozes, Petrópolis, 1988, 104.)

2) Nota: O Espírito Santo só pode atuar sob a alma que estiver purificada através da confissão de seus pecados; daí a importância de se pedir perdão a Deus e arrepender-se verdadeiramente diante de um sacerdote fiel, receber a absolvição pela culpa, penitenciar-se pelo dano causado pelo pecado, e procurar não mais pecar.

(3) “E fizeste deles para nosso Deus um reino de sacerdotes que reinam sobre a terra.” (Apocalipse, 5, 10.) 

(4) “E acontecerá depois disto, que eu derramarei o meu espírito sobre todos os mortais, vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens verão visões.” (Joel, 3, 1.)  

(5) “... Muitos bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis não acreditam mais, já perderam a verdadeira fé em Jesus e no Evangelho. Por isso, a Igreja deve ser purificada com a perseguição e o sangue.” (Virgem Maria a Padre Stefano Gobbi, em 06/09/1986.)