A mulher vestida de sol.

O Apocalipse é o livro bíblico que contém a Revelação de Jesus Cristo dirigida à Sua Igreja perseguida, que, além de uma espécie de radiografia do estado atual de sete Igrejas, nos mostra os destinos do mundo após a abertura dos sete selos pelo Cordeiro.

Também, nesta visão celeste dada ao apóstolo João, focaliza-se a Mulher resplandecente, o Dragão e as duas Bestas, os diversos flagelos, o castigo dos perseguidores, o triunfo da Igreja e, finalmente, a consumação do Juízo final e a Jerusalém Nova dos Eleitos.

O Apocalipse se apresenta como uma Revelação de Jesus em continuidade com o Evangelho proclamado antes de sua morte. A simbologia e o duplo sentido permeiam a Revelação. Citamos, como exemplo, o número sete, que aqui tem duplo sentido: as Igrejas mencionadas são de fato sete Igrejas que existiram historicamente na província de Éfeso; mas havia bem mais de 7. Este número foi escolhido por ser o “número da plenitude”, para visar todas as Igrejas, toda a Igreja. A simbologia encontra referência, por exemplo, nos trovões: símbolos da voz de Deus.

Mas, no capítulo 12, versículo 1, inicia-se a terceira parte do Apocalipse: os destinos da Igreja através da História, notadamente as perseguições que ela sofrerá e seu triunfo final. A mulher, concretamente histórica tanto quanto seu Filho, é Maria, mãe de Jesus; mas dada também como mãe ao Discípulo João, representa a Mãe da Igreja de Jesus Cristo. Assim ela, Maria Santíssima, é elevada à categoria de sinal. Um grandioso sinal que aparece no céu, para que todos vejam. Um sinal a todos os povos por meio de todas as suas aparições que ocorrem em diversos locais no mundo inteiro.

“Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.”
(APOCALIPSE. 12, 1)

Vestida com a luz de Deus, a luz do Espírito Santo, a qual é representada pelo sol; com os pés sobre a lua, simbolizando estar acima dos instintos inferiores humanos, e portando uma coroa de doze estrelas, que simbolicamente remetem às doze tribos de Israel, Maria é colocada por Deus numa posição destacada de qualquer outra criatura no momento em que passa a ser a comandante na batalha decisiva contra satanás.

Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la num lugar escondido ou sob uma vasilha, mas a coloca no seu lugar próprio para que os que entram possam ver o seu clarão.
(LUCAS, 11, 33)

Revestida da luz de Deus, é nesta época que, para se cumprir o que já dizia o apóstolo Lucas (capítulo 11, versículo 33), Maria deve ganhar o devido valor, e ser trazida ao conhecimento de todos, pois ela foi escolhida por Deus para liderar o exército dos fiéis que estarão lutando contra satanás e seu séqüito nesta época.

A Missão de Maria: ser mãe espiritual da Igreja de Jesus Cristo.

A proteção especial dedicada aos seus filhos.

A missão de Maria na obra da salvação é algo natural e sobrenatural. Sua participação não se inicia no momento em que o Verbo se faz carne em seu seio, mas, antes disto, uma longa preparação espiritual foi feita por aquela que, antes, no céu, já tinha sido escolhida pelo Altíssimo para participar do projeto de Deus para com os homens.

Sua missão: proteger sua descendência, e quem são estes? “... os que cumprem os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Ap 12,17).

O primeiro sim que foi dado a Deus fez com que o Espírito Santo cobrisse a escolhida de Deus e que viesse nela habitar nosso Deus salvador.

O segundo sim que foi dado a Deus tornou-a mãe espiritual da humanidade, e deu-se quando, aos pés da cruz de seu amado Filho, recebeu o anuncio “Mulher, eis aí o teu filho.” (Jo, 19,27). No ato simbolizado pelo acolhimento do apóstolo amado de Jesus, João, a Virgem Maria acolheu também toda a humanidade, tornando-se mãe espiritual de todos nós.

Sua maternidade foi estendida a todos os filhos de Deus que, como João, fiel aos pés da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, estão ligados ao sacrifício da cruz pela fé, pelas práticas evangélicas, e pela Eucaristia, renovação do sacrifício cruento. Esta é a Igreja de Deus, o povo de Deus reunido.

Para os que ainda se encontram afastados da fé católica, da Igreja de Jesus, a qual possui dois pilares (segundo a visão profética de São João Bosco para estes tempos, quando a Igreja estaria perseguida e abalada, vivendo o seu calvário purificador): o maior deles, a EUCARISTIA, e o segundo pilar, a VIRGEM MARIA, reproduzo as palavras contidas no Evangelho de João:

“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.”
(JOÃO, 10,16)

As palavras da Virgem falam por si:

“Sou a Mãe do Verbo Encarnado.
Com o Meu “Sim”, ofereci ao Pai a minha colaboração pessoal para o Seu desígnio de salvação.
Do seio Paterno, o Verbo se depôs no meu seio Materno, para assumir de Mim a Sua natureza humana. Assim, tornei-me verdadeira Mãe de Jesus.
O “Sim” à vontade do Pai floresceu na Minha alma como fruto de uma longa e silenciosa preparação.
Eis o caminho que a vossa Mãe percorreu para chegar a este inefável momento: o caminho da humildade, da confiança, do abandono filial, do silêncio, da íntima e profunda união com Deus.
Desde a infância Me ofereci completamente ao Senhor, pondo-Me como escrava ao seu Serviço, na virgindade perfeita, no escondimento, na oração.
A Minha alma abriu-se a uma luz cada vez maior e a minha existência formou-se no desapego de todas as criaturas, para amar de maneira perfeita o Senhor, cumprindo a sua vontade e escutando a Sua Palavra. Formei-me no gosto de procurar, de acolher e de guardar só a Palavra de Deus.
Quando o Pai decidiu depor o Seu verbo no Meu seio virginal, encontrou a vossa mãe pronta para O acolher com amor e com alegria, na única intenção de cumprir perfeitamente a Vontade Divina.”
Fonte: Mensagens de NOSSA SENHORA ao Pe. Stefano Gobbi, 26ª ed., em 25 de março de 1979.

 

Satanás e sua descendência
lutando contra Maria e seu exército.

A guerra que já estava prevista no primeiro livro da Bíblia, e que se dá entre as duas descendências: a da Mulher e a de satanás, está descrita na passagem abaixo:

“Porei inimizade entre ti (satanás) e a Mulher, entre tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu farás guerra contra o seu calcanhar.” (Gn 3,15)

E quem são os que fazem parte da descendência de satanás?

A descendência de satanás é “uma terça parte das estrelas do céu” (Ap 12, 4), que são a terça parte dos anjos rebeldes que com satanás foram precipitados para fora do céu e lançados sobre a terra (Ap 12,7-9). Esta é a sua primeira descendência: “satanás e os espíritos malignos, que andam pelo mundo para a perdição das almas”.

Imagens de demônios:

        Fonte: http://www.galeon.com/estarrecente/diabos.htm

 

A segunda descendência de satanás:
os homens que fazem guerra contra Maria.

Não apenas o dragão, mas os que estão a serviço do dragão estão em guerra contra a Mulher e contra seus descendentes.

Sua segunda descendência são os homens por ele pervertidos, os que, assim como satanás, procuram fazer guerra à Mulher, instigados pelo maligno, asseclas do odioso inimigo de Deus, que trabalham na terra para denegrir a imagem de Maria, e vem perpetuando uma guerra contra Ela e contra os Seus filhos. São aqueles que rejeitam a Virgem Maria na obra de Jesus Cristo. São aqueles que somente a conseguem ver como simples criatura humana despida de seu verdadeiro valor diante de Deus e importância na obra de salvação. Em sua visão simplista, a tem unicamente como uma mulher que teve a missão de ser mãe biológica de Jesus e nada mais.

E, assim como o demônio sempre se opôs em aceitar a Virgem Maria, também seus imitadores questionam, duvidam, diminuem a importância, blasfemam contra, rejeitam e ofendem a Santíssima Virgem, achando que com isto agradam ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Esqueceram eles que o sangue derramado por nossos pecados primeiramente correu nas veias de Maria? Esqueceram também que a carne rasgada e flagelada que foi sacrifício perfeito para Deus foi preparada dentro das puríssimas entranhas da Virgem?

Nessa derradeira etapa da redenção da humanidade, todos aqueles que rejeitam a maternidade espiritual de Maria Santíssima estão claramente se opondo a um desígnio de Deus. Assim agindo, além de perderem graça diante de Deus, estão inconsciente e bisonhamente somando-se ao exército de satanás; aquele que mais odeia aquela que foi escolhida desde sempre para ser a Mãe do Salvador.

E os seguidores de satanás, que vêm empreendendo guerra à Mulher, seja por que motivos, são filhos que caíram na armadilha do demônio, “o sedutor do mundo inteiro” (Ap 12,9) continuando na terra o trabalho que satanás iniciou já mesmo no céu, ao repudiar prestar culto (culto, não é o mesmo que adoração! Adoração é devida única e exclusivamente a Deus! Prestem atenção a isto!) àquela que, dando seu “sim” a Deus, é parte ímpar no plano de salvação da humanidade, pois o Santo dos santos só poderia abrigar-se em um seio puríssimo, isento de todo e qualquer pecado.

Maria é o grande sinal para estes tempos.

“Insensatos, sabeis discernir os sinais do céu e da terra; e por que não sabeis reconhecer os sinais dos tempos?” (Mt 16,4; Lc 12, 56)

Quando os discípulos, no Monte das Oliveiras, perguntaram a Jesus: “Quando isto acontecerá? E qual será o sinal de tua volta e do fim do mundo?” (Mt 24, 3) o Salvador relacionou vários sinais. Também o Apocalipse está permeado de sinais.
Atualmente, muitos sinais estão acontecendo no céu e na terra. Sinais naturais e sobrenaturais. Todos eles são indicadores dos tempos que Jesus predisse que viriam.

Mas de todos os sinais que possam ter ocorrido ou vir a ocorrer, há um que é considerado “um grande sinal”.
Por que razão São João, ao receber dos Céus as visões proféticas do último livro, registrou “Um grande sinal apareceu no céu...”?

Porque este não é um sinal oriundo das atividades da natureza, ainda menos um sinal ligado a fatos da esfera da organização humana. Vejam que sinais que derivariam destes elementos já tinham sido focalizados por Jesus, com riqueza de detalhes, no Evangelho (Mt.24, Mc.13, Lc.21).

Aqui, entretanto, há algo novo.

Há uma intervenção miraculosa que se inicia no céu, uma figura feminina que é introduzida, não por acaso, na época em que um combate se inicia.

Esta mulher é Maria.

Portanto, a guerra contra a Mulher vestida de sol, que acontece tanto espiritual quanto terrenamente, é sinal de que estamos vivendo o tempo predito no Apocalipse. Também, a perseguição à Igreja Católica (que já ocorre de forma explícita) não deixa dúvidas para que nos conscientizemos da importância de estarmos preparados para o combate que já está sendo travado na terra.

“E o dragão se irritou contra a mulher e foi guerrear contra o resto de seus filhos, os que cumprem os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.”
(APOCALIPSE, 12, 17)

Neste contexto, as manifestações marianas, grandes e últimos chamamentos de Deus feitos aos homens para que se convertam do pecado enquanto há tempo, são sinais anunciados pelo céu, que demonstram a atuante participação de Maria na obra de salvação da humanidade.

“Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.”
(MATEUS, 11, 25-26)

Maria na batalha decisiva descrita no Apocalipse.

Para a batalha decisiva prevista para o fim dos tempos, Deus capacitou a Virgem Maria com o Poder para esmagar a cabeça da serpente infernal.

Sobre a batalha, fala-nos a própria Mãe de Jesus:

“Vim do céu para vos revelar o Meu desígnio nesta luta que envolve a todos, alinhados para o combate às ordens de dois comandantes opostos: a Mulher vestida de sol e o dragão vermelho.
Indiquei-vos o caminho a percorrer: é o caminho da oração e da penitência. Convidei-vos à conversão interior da vossa vida.
Preparei-vos também um refúgio para serdes recolhidos, para serdes protegidos e fortalecidos durante a presente tempestade que se tornará ainda maior. O refúgio é o Meu Coração Imaculado.
Agora anuncio-vos que este é o tempo da batalha decisiva. Nestes anos, Eu mesma intervenho, como a Mulher vestida de sol, para levar ao cumprimento o Triunfo do Meu Imaculado Coração, que já comecei por meio de vós, Meus filhos prediletos.
Ser-vos-ão pedidos sofrimentos, mas no Meu Coração Imaculado, sereis chamados a saborear também as íntimas alegrias do Meu amor materno.
As trevas adensar-se-ão, mas se tornará ainda mais forte o raio de luz que parte do Meu Coração pra vos indicar o caminho. O pecado cobrirá todas as coisas, mas sereis ajudados por Mim a revestir-vos da Graça Divina, que deverá resplandecer cada vez mais em vós, para dardes a todos um testemunho de santidade.
Escutai com docilidade e humildade a Minha voz. Deixai-vos guiar a cada momento por Mim.
Este desígnio, que estou cumprindo há anos no silêncio e no escondimento, em breve se revelará em todo o seu esplendor. Então aparecerá perante toda a Igreja a grande obra-prima do amor do Coração Divino e Misericordioso do Meu FILHO JESUS.”
Fonte: Mensagens de NOSSA SENHORA ao Pe. Stefano Gobbi, 26ª ed., Vol. , em 3 de maio de 1979 (Aniversário da 1ª Aparição em Fátima).

O convencimento das verdades de Deus
se dá por obra do Espírito Santo.

“É necessário que tudo isto aconteça”, assim diz o Evangelho várias vezes. É necessário porque trata-se de uma profecia divina, de cumprimento compulsório, uma vez que Deus sempre cumpre o que diz.

A grandiosidade e a importância de Maria estão contidas no Evangelho.
Para aqueles que leram e meditaram atenta e humildemente (de coração aberto), os fatos narrados no Novo Testamento que dizem respeito à participação da Virgem em situações decisivas, tais como o momento de sua divina concepção, a santificação de João Batista e o milagre das Bodas de Caná, são suficientes para trazer o convencimento quanto ao caráter superior desta criatura escolhida por Deus.

Pois, que:

Nela, o Espírito Santo de Deus se manifestou para torná-la Mãe de Jesus, através da sua Imaculada Conceição.
Por ação dela, em visita a sua prima, Isabel, ocorreu a santificação de São João Batista, reconhecido por sua própria parenta;

“Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz:

“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!”
(LUCAS, 1, 41-45)

E, a pedido dela, ocorreu o milagre da transformação da água em vinho (a primeira manifestação pública milagrosa de Jesus). Que num primeiro momento chegou a surpreender-se com sua súplica, mas depois consentiu e atendeu o seu pedido, deixando bem claro, para todo o sempre, o grande poder de intercessão de Sua mãe junto a Si. (Ver: João, 2, 1-11)

Portanto, fica claro que ao chamarmos Maria de “esposa do Espírito Santo” não estamos, de maneira alguma, fazendo-lhe um favor, mas apenas caracterizando todo o amor que Deus perenemente tem por ela.

Este mesmo Espírito Santo deve ser luz à compreensão de muitos filhos para a mística contida no Evangelho, já que muitas verdades passam despercebidas por muitos daqueles que lêem as Santas Palavras despidos da riqueza maior que é o amor. E uma delas que muitos não enxergam é que ninguém teve, tem, ou terá maior amor do que Jesus por Sua Santa mãe.

“O anjo entrou onde ela estava e lhe disse: Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo”. Ela se perturbou com estas palavras e perguntava de si para si o significado desta saudação. Mas o anjo continuou: “Não tenhas medo, Maria! Achaste graça diante de Deus.
(LUCAS, 1,28-30)

Lembramos, ainda, que aquela que alcançou graça diante do trono do Altíssimo, há mais de 2000 anos, alcançará eternamente, pois os desígnios de Deus são imutáveis.

Portanto, infelizes daqueles que tentam perseguir e até minimizar a importância da Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e Mãe da Igreja, Maria Santíssima, nossa comandante na Grande Batalha que acontece neste momento na terra!

“Alguns dos fariseus que estavam com ele ouviram isto e perguntaram-lhe: “Por acaso também nós somos cegos?” Jesus respondeu: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: nós vemos, por isso vossa culpa permanece.”
(JOÃO, 9, 40-41)